Quem procura peças para BYD, GWM ou Caoa Chery quase sempre ouve a mesma resposta: “isso só na concessionária”. Em 2026, essa frase já não é totalmente verdadeira. Parte da manutenção desses carros pode ser feita com peças do mercado de reposição, e outra parte continua exclusiva da rede autorizada. Saber separar uma da outra evita carro parado e gasto desnecessário.
Por que a peça demora mais para chegar ao balcão
O mercado de reposição acompanha a frota. Quando um modelo é novo, quase todos os carros ainda estão na garantia e fazem revisão na concessionária. Os fabricantes de autopeças só desenvolvem uma peça quando existe volume de carros rodando fora da garantia. Por isso, a regra prática é simples: quanto mais tempo o modelo tem de Brasil, mais opções existem.
Caoa Chery: a reposição mais madura das três
A família Tiggo roda no Brasil desde 2018 e os modelos Tiggo 5X, Tiggo 7 e Tiggo 8 são montados em Anápolis (GO). Com muitos carros já fora da garantia, é a marca com mais cobertura no mercado independente.
O que normalmente já se encontra:
– Filtros de óleo, ar, combustível e cabine
– Pastilhas e discos de freio
– Amortecedores (a Cofap, por exemplo, já tem códigos para Tiggo 2 e Tiggo 8)
– Componentes de suspensão, como bieletas, pivôs e terminais
– Velas, bobinas, correias e bateria
GWM Haval: reposição em formação
A GWM chegou em 2023 com o Haval H6 e hoje tem fábrica em Iracemápolis (SP). A marca trabalha com tabela de preço único para peças em toda a rede, o que dá previsibilidade ao dono. No mercado independente, a oferta ainda é concentrada em itens de manutenção leve: palhetas, filtro de cabine, pastilhas e bateria de 12 V. Como o H6 é híbrido, ele também usa óleo, filtros e velas, e esses itens tendem a ganhar opções conforme a frota envelhece.
BYD: muita frota, reposição começando
A BYD cresceu mais rápido do que qualquer outra marca e passou a montar carros em Camaçari (BA). Esse crescimento veio acompanhado de reclamações sobre demora de peças, e a marca ampliou seu centro de distribuição para responder. No mercado independente, fabricantes globais já lançaram componentes de suspensão para modelos como Dolphin e Yuan Plus, e itens como palhetas, filtro de cabine e pastilhas começam a aparecer no Brasil. Para tudo o que é carroceria e eletrônica, a concessionária ainda é o caminho.
O que continua exclusivo da concessionária
Em qualquer uma das três marcas, estes itens devem ficar com a rede autorizada:
– Bateria de alta tensão (bateria de tração)
– Motor elétrico, inversor e carregador de bordo
– Cabos de alta tensão, identificados pela cor laranja
– Módulos eletrônicos e atualizações de software
– Peças de lataria, faróis e para-choques com sensores
O sistema de alta tensão exige técnico habilitado e ferramenta própria. Não é serviço para improviso.
Elétrico e híbrido também gastam peça
O carro elétrico não tem óleo de motor, vela, correia nem escapamento. Mas continua tendo:
– Pastilhas e discos (duram mais por causa da frenagem regenerativa, mas o disco pode oxidar pelo pouco uso)
– Fluido de freio, que vence por tempo
– Amortecedores, buchas e pivôs, que sofrem mais porque o carro é mais pesado
– Pneus, palhetas, filtro de cabine e bateria de 12 V
O híbrido soma tudo isso à manutenção normal de um motor a combustão.
E a garantia?
Enquanto o carro estiver na garantia de fábrica, mantenha as revisões no plano da marca e confira o manual antes de trocar qualquer item fora da rede. Depois da garantia, a escolha é sua, e peça de procedência com nota fiscal é o que protege o seu bolso.
Como pedir a peça certa
Carros chineses mudam de versão com frequência, e a mesma peça pode variar de um ano para outro. Para não errar, tenha em mãos:
1. Modelo e versão completos
2. Ano de fabricação e ano modelo
3. Número do chassi
4. Foto da peça antiga, se possível
Perguntas frequentes
Tem peça de BYD fora da concessionária?
Tem, mas a oferta ainda é limitada a itens de desgaste e manutenção leve. Componentes de alta tensão e eletrônica são exclusivos da rede.
Peça de Caoa Chery é difícil de achar?
Não como antes. Por estar há mais tempo no Brasil, a linha Tiggo já tem boa cobertura de filtros, freios e suspensão no mercado de reposição.
Carro elétrico precisa trocar pastilha de freio?
Precisa, só que com intervalo maior. O fluido de freio e os discos continuam exigindo inspeção periódica.
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